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Afinador de Violão de 7 Cordas

O violão de 7 cordas é um violão comum com uma corda a mais embaixo, em Dó2 — meio tom acima do Si grave da guitarra de sete cordas, e um instrumento completamente diferente dela. As seis cordas de cima não mudam, então tudo o que você já toca continua valendo.

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Um violão comum com um Dó grave embaixo

O violão de 7 cordas é afinado Dó–Mi–Lá–Ré–Sol–Si–Mi, da 7.ª corda para a 1.ª — em cifra, C2–E2–A2–D3–G3–B3–E4. Da 6.ª corda para cima está tudo exatamente onde sempre esteve num violão de seis: o instrumento inteiro é uma corda a mais embaixo, em Dó2, 65,41 Hz. É mais grave do que qualquer nota de um violão comum e fica a apenas quatro semitons do Mi grave de um contrabaixo.

Por que Dó, e não Si, que seria o intervalo mais «certinho»? Por causa do repertório. Choro e samba vivem em Dó, Ré, Fá, Sol e Lá, e quase nunca em Si ou Mi — então um Dó em corda solta é uma nota que se usa o tempo todo, e um Si grave solto, não. Quem fixou isso foi Dino 7 Cordas, nos anos 1950, e do jeito mais prático possível: colocou uma corda de violoncelo no violão, afinou em Dó e tocou com dedeira no polegar para o instrumento aguentar os microfones da época.

E vale lembrar para que serve essa corda, porque ela não é um bordão parado. A 7.ª é o instrumento da baixaria — as frases de contraponto, geralmente descendentes, que respondem à melodia nos espaços entre as frases da flauta ou do bandolim. A escolha da nota é sobre quais escalas caem bem embaixo da mão, e não sobre quais tônicas você alcança.

ExperimenteTons de referência para violão de 7 cordas

A primeira aba é a afinação do choro. Nas outras duas só a 7.ª corda muda de lugar — as seis de cima ficam intocadas, que é justamente a ideia do instrumento.

Dó, Si ou Lá: o que uma corda só aguenta

As três aparecem na prática, e normalmente é a mesma corda que atende todas: o jogo Savarez para sete cordas, por exemplo, especifica a 7.ª para Lá, Si e Dó. O que muda é a tensão, e a conta é mais dura do que parece, porque a tensão varia com o quadrado da frequência. Nesse jogo a 7.ª puxa cerca de 10,1 kgf em Dó2, aproximadamente 8,9 kgf em Si1 e apenas 7,1 kgf em Lá1. Descer de Dó para Lá joga fora quase um terço da tensão de uma corda que já não era tensa.

É isso que se ouve quando a 7.ª fica ruim: não é nota errada, é corda mole — trasteja, sobe de altura no primeiro instante de um toque mais firme e depois cai, e afina mal subindo o braço, porque corda frouxa estica proporcionalmente mais quando você aperta na casa. Se você toca em Si ou em Lá com frequência, a solução é uma 7.ª mais grossa, e não mais volta na tarraxa. Uma 7.ª de nylon comum, como a da D’Addario, fica em torno de .056″ e é especificada justamente para a faixa de Si a Dó.

CordaNotaCifraFrequênciaIgual à do violão de 6?
7.ªC265,41 HzNão — é a corda que se acrescenta
6.ªMiE282,41 HzSim
5.ªA2110,00 HzSim
4.ªD3146,83 HzSim
3.ªSolG3196,00 HzSim
2.ªSiB3246,94 HzSim
1.ªMiE4329,63 HzSim

A rotina, e a casa que prova que a 7.ª está certa

  1. Afine primeiro as seis de cima, como num violão comum. Elas não mudam, são mais fáceis de o mostrador ler, e servem de referência para conferir a 7.ª depois.
  2. Abafe todas as outras antes de mexer na 7.ª. Encoste a palma da mão nas seis. Um Dó grave faz as vizinhas vibrarem por simpatia, e um afinador com duas notas soando ao mesmo tempo fica pulando entre as duas.
  3. Toque a 7.ª de leve, com a polpa do dedo, e espere. Em 65 Hz o detector precisa de vários ciclos completos da onda para se decidir. Dê um ou dois segundos e leia depois que o ponteiro assentar, nunca durante o ataque.
  4. Chegue sempre por baixo. Suba até a nota em vez de descer até ela: o nylon e a própria tarraxa acomodam, então quem para no meio de um afrouxamento vê a altura escorregar sozinha logo depois.
  5. Confirme com a 6.ª corda numa casa. Com a 7.ª em Dó, a 4.ª casa da 7.ª corda é o Mi da 6.ª solta — Dó2 mais quatro semitons dá Mi2. Toque uma e depois a outra: têm de ser a mesma nota. Se você passou a 7.ª para Si, essa conferência vai para a 5.ª casa; em Lá, para a 7.ª casa. Bater na casa errada é o sinal clássico de que a corda não está onde você pensa.
  6. Passe tudo mais uma vez — e, em jogo novo de nylon, várias vezes ao longo de alguns dias.

Três instrumentos diferentes com o mesmo nome

«Violão de 7 cordas» é um nome que colide entre três tradições, e as afinações não têm quase nada a ver umas com as outras:

  • Brasileiro, Dó2–Mi2–Lá2–Ré3–Sol3–Si3–Mi4. Nylon (ou o jogo híbrido de aço mais antigo), escala de 650 mm, dedilhado, baixaria no choro e no samba. É esta página.
  • De extensão estendida, Si1–Mi2–Lá2–Ré3–Sol3–Si3–Mi4. Guitarra elétrica de aço, escala de 25,5 a 27 polegadas, com a corda grave existindo para riff, não para contraponto. Fica um semitom abaixo da 7.ª brasileira e é outro instrumento em todo o resto: nosso afinador de 7-string (em inglês) cobre esse, inclusive por que o Si grave fica instável em escala curta.
  • Russo, Ré2–Sol2–Si2–Ré3–Sol3–Si3–Ré4. Um acorde de Sol maior aberto, construído em terças e não em quartas, desenvolvido em torno de Andrei Sychra no começo do século XIX. Nenhum desenho de acorde do violão espanhol funciona nele.

O mostrador aqui em cima é cromático e lê qualquer um dos três. O que ele não pode é adivinhar qual instrumento está na sua mão — e meio tom entre Dó2 e Si1 é pouco o bastante para um afinador que mostra só a letra deixar você na afinação errada a noite inteira.

Aço, nylon e o que a escola realmente toca

Não existe um material «certo» aqui, o que costuma surpreender quem chega pelo violão clássico. O instrumento tradicional do samba, o de Dino, é de aço e híbrido: 1.ª e 2.ª cordas de nylon, as outras cinco de aço. Ele projeta, atravessa uma roda inteira, e as primas de nylon tiram a aspereza do agudo. A partir dos anos 1980 o sete cordas de nylon se firmou no choro e é o que a maioria toca hoje, inclusive no ensino formal — a referência que fez uma geração procurar um é Raphael Rabello, do fim dos anos 1970 em diante.

Para afinar dá no mesmo: Dó2 é Dó2 nos dois. Muda o jogo de cordas que você compra, porque híbrido de aço e jogo de nylon não são intercambiáveis no mesmo instrumento, e muda o tempo de assentamento, já que o nylon fica cedendo por dias enquanto o aço se acomoda quase todo na primeira hora.

O que o ponteiro resolve e o que ele não alcança

A medição aqui é em temperamento igual — o mesmo sistema com que os trastes do seu violão foram posicionados, de modo que cordas soltas e braço falam a mesma língua. Dois limites valem para este instrumento em especial.

O primeiro é o próprio Dó grave. Corda entorchada não é um oscilador perfeito: os harmônicos dela sobem um pouquinho mais do que a matemática manda, e quanto mais pesado o entorchamento, maior o desvio. Resultado: uma 7.ª cravada no centro pela fundamental ainda pode soar meio apagada diante do resto do instrumento, e muitos violonistas a deixam de propósito um ou dois cents acima. Nada disso é falha de leitura — a fundamental foi medida direito; quem julga o som inteiro, com todos os harmônicos somados, é o seu ouvido. O tamanho dessa diferença está no nosso guia sobre cents (em inglês).

O segundo é a baixaria em si. Essas frases acontecem nas cordas graves, na região baixa do braço e muitas vezes com ataque firme — e é exatamente ali que a pressão da mão esquerda e o estiramento da corda empurram a altura para cima, num valor que nenhuma leitura de corda solta prevê. Afine as soltas pelo mostrador e depois toque uma frase descendente de verdade, ouvindo: se soar alta com todas as soltas centralizadas, o ajuste é de mão esquerda ou de regulagem do instrumento, não de tarraxa.

Perguntas frequentes

A sétima corda deve ser afinada em Dó ou em Si?

Dó é o padrão brasileiro e é o que esta página traz. O motivo é o repertório: choro e samba vivem em Dó, Ré, Fá, Sol e Lá, e quase nada está em Si ou Mi, então o Dó solto é uma nota que se usa de fato. Quem firmou essa convenção foi Dino 7 Cordas, nos anos 1950, e a escola inteira de baixaria foi construída em cima dela. O Si tem um argumento legítimo do outro lado: ele mantém a distância entre as cordas regular lá embaixo, então os desenhos se transportam de forma previsível na região grave — é a escolha frequente de quem vem do sete cordas erudito. As duas cabem na mesma corda: a Savarez especifica a 7.ª dela para Lá, Si e Dó. O que muda é a tensão, e é bom saber disso antes de virar a tarraxa.

Os acordes e as escalas que eu já toco continuam valendo?

Todos. As seis cordas de cima são um violão comum, intocadas — Mi2, Lá2, Ré3, Sol3, Si3, Mi4 —, e a sétima entra embaixo sem deslocar nada. Nada do que você já toca precisa ser reaprendido, e é por isso que o instrumento pegou entre violonistas em vez de virar curiosidade de especialista. O que é novo é a função da corda a mais: ela não está ali para reforçar a tônica dos seus acordes, e sim para a baixaria — as frases de contraponto descendentes que respondem à melodia.

É o mesmo instrumento que a guitarra de 7 cordas do rock?

Não, e a confusão é constante porque o número de cordas é igual. A de extensão estendida é uma guitarra elétrica de aço afinada Si1–Mi2–Lá2–Ré3–Sol3–Si3–Mi4, tocada com palheta em escala de 25,5 a 27 polegadas, com a corda grave servindo para riff. O violão de 7 cordas brasileiro é um violão de nylon em escala de 650 mm com a sétima em Dó2 — meio tom acima —, tocado com os dedos para contraponto no choro e no samba. Se o seu caso é o outro, use o nosso afinador de 7-string (em inglês): a corda grave é a única coisa que os dois instrumentos têm na mesma vizinhança, e ainda assim com meio tom de diferença.

Aço ou nylon: qual é o certo?

Os dois são tradicionais e são dois sons diferentes. A escola mais antiga do samba, formada por Dino 7 Cordas, toca um instrumento de aço com jogo híbrido: 1.ª e 2.ª de nylon e as outras cinco de aço. A partir dos anos 1980 a versão de nylon se firmou no choro e é a que a maioria usa hoje, inclusive no ensino formal. A afinação é a mesma nos dois casos. O que muda é o jogo de cordas que você compra e o ataque que o instrumento devolve: o aço projeta mais numa roda, o nylon é mais redondo e mais confortável para frases longas de baixaria.

Meu afinador não fecha na sétima corda. O que está errado?

Provavelmente nada. Dó2 são 65,41 Hz, mais grave do que qualquer corda de um violão de seis, e um detector de altura precisa de vários ciclos completos de uma onda tão lenta antes de conseguir nomeá-la — por isso a leitura demora mais e oscila mais do que nas agudas. Três coisas resolvem: abafe as outras seis cordas com a palma para nada ficar vibrando por simpatia, toque de leve com a polpa do polegar em vez de forte com a unha, e deixe a nota soar um ou dois segundos antes de ler. Toque forte em corda grave entorchada soa mesmo alto no primeiro instante e depois assenta, então leitura apressada é leitura errada.

Prefere o mostrador em tela cheia?

O mesmo afinador funciona em tela cheia — prático na estante de partituras, e ele lembra os seus ajustes.

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